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Nomear a cumplicidade: a rede global por trás do genocídio em Gaza

Em Gaza, gerações inteiras estão sendo apagadas enquanto o mundo debate definições.

Hospitais, casas e escolas reduzidos a pó. Crianças enterradas sem nomes a chamar.

O ar carregado de dor — e o silêncio daqueles que poderiam ter impedido tudo isso.

Um espelho do nosso tempo

Em seu mais recente relatório à Assembleia Geral das Nações Unidas — A/80/492: “Gaza Genocide: A Collective Crime”, a Francesca Albanese descreve as atrocidades que ocorrem em Gaza não como um ato isolado, mas como um crime coletivo, possível apenas graças a décadas de impunidade, proteção política e a erosão calculada do direito internacional. 🔗 Leia o relatório completo de Albanese

Segundo Albanese, este genocídio foi “possibilitado pelas ações e omissões de poderosos Estados terceiros” que forneceram armas, cobertura diplomática e apoio econômico ao sistema de ocupação e apartheid de Israel.

O relatório examina as dimensões diplomáticas, militares, econômicas e as chamadas “humanitárias” desse apoio — e deixa claro que muitas dessas relações podem gerar responsabilidade dos Estados sob o direito internacional.

De acordo com registros públicos da ONU e declarações oficiais referenciadas no relatório da Relatora Especial, muitos governos — incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, vários membros da UE e a maioria dos Estados alinhados à OTAN — continuaram a cooperação militar, diplomática ou comercial com Israel durante a campanha em Gaza.

Na Europa, Espanha, Irlanda e Bélgica adotaram posições mais independentes, apoiando o cessar-fogo e medidas de responsabilização.

🔗 Acesse o relatório original

Vozes de esperança e responsabilidade

Mesmo diante desse colapso da ordem moral, nações e movimentos mantêm a linha da justiça.

Do Sul Global, países como África do Sul, Colômbia, Nicarágua, Bangladesh, Bolívia, Jordânia, Namíbia e membros do Grupo de Haia (Comores e Djibuti) estiveram entre os governos que pediram investigações e justiça para os palestinos, levando casos ao International Court of Justice (ICJ), exigindo sanções e pedindo um cessar-fogo imediato e permanente.

Sua liderança reflete uma verdade profunda: o Sul Global há muito entende que a justiça não pode depender da proximidade do poder.

Além da inclusão: rumo à justiça

No OGA e no DEI Declassified, reconhecemos este momento como um ponto de inflexão para a humanidade.

Por décadas, diversidade, equidade e inclusão foram discutidas como estruturas institucionais — mas que significado têm se povos inteiros são excluídos do direito à vida?
Que tipo de equidade é possível enquanto sistemas de dominação racial são financiados e justificados?

A verdadeira inclusão começa quando nomeamos a cumplicidade e desmontamos as hierarquias que a sustentam.
A justiça começa quando colocamos no centro as pessoas e movimentos que sempre carregaram a verdade, mesmo quando ignorados.

O momento na corda bamba

“O mundo agora está na corda bamba entre o colapso do Estado de direito internacional e a esperança de renovação.”
Francesca Albanese, Relatora Especial da ONU (A/80/492)

Esse renascimento depende de todos nós — coletivos, redes e pessoas comuns que recusam o silêncio e escolhem a ação em vez do desespero.

Junte-se a nós

Convidamos aqueles que acreditam em equidade, justiça regenerativa e cuidado decolonial a se juntar a nós — para colaborar, compartilhar conhecimento e construir espaços de responsabilização e cura.

Conecte-se com OGA e DEI Declassified para co-criar caminhos de solidariedade entre o Sul e o Norte Global, e reivindicar a imaginação moral que nosso mundo urgentemente precisa.

Por Anna Ferreira

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