Povosmulheres2026

Abril é território vivo: mulheres indígenas, ancestralidade e futuros possíveis


Abril, em Pindorama (Brasil), é mais do que um marco simbólico. É um tempo de memória viva, de reconhecimento e de escuta. Um tempo que nos convida a olhar para os povos originários não como parte do passado, mas como presença ativa, inteligência coletiva e futuro em movimento.

É nesse contexto que a OGA, em articulação com o Instituto Aldeia Verde, com o projeto Guardiãs do Bem Vivere em parceria com a Indique, se soma a esse ciclo com um convite simples e profundo: escutar.

Escutar aquelas que sustentam, há gerações, formas de vida enraizadas na terra, na coletividade e no bem viver.

Como nos lembra Nego Bispo, a confluência entre quilombos, favelas e aldeias carrega uma força transformadora capaz de “derreter o asfalto”. Mais do que uma imagem, é um chamado à reconexão entre territórios, saberes e modos de existência historicamente separados e silenciados.

Neste mês dos povos originários, celebramos e honramos especialmente a força feminina indígena: guardiãs do bem viver, da memória, da cura e da continuidade.

Mulheres indígenas e a força do bem viver

Para marcar esse momento, reunimos quatro mulheres indígenas cujas trajetórias expressam, de formas distintas e complementares, a potência da ancestralidade em ação.

Cleidiane Tremembé atua como educadora indígena, construindo pontes entre escola e território por meio de metodologias interculturais. Seu trabalho desafia modelos educativos coloniais e propõe caminhos enraizados nos saberes e cosmologias de seu povo.

Ludmilla Pataxó, estilista e artista, utiliza a moda como linguagem política e cultural. Suas criações afirmam uma estética indígena contemporânea que honra suas raízes e reposiciona a moda como território de resistência e narrativa.

A-yá Kukamíria, pajé amazônica, é guardiã da medicina tradicional e dos saberes ancestrais. Sua atuação nos lembra que a cura é coletiva e profundamente conectada à floresta, aos espíritos e aos ciclos da vida.

Wamen Negarotê, mestra indígena, fortalece práticas ancestrais e o protagonismo feminino, evidenciando o papel central das mulheres indígenas na continuidade cultural e na defesa dos territórios.

Reunir essas mulheres em uma roda de escuta é mais do que promover um encontro; é criar um espaço de confluência.Um espaço onde diferentes mundos podem se encontrar sem que um precise se sobrepor ao outro.

Parcerias que sustentam redes vivas

Iniciativas como o projeto Guardiãs do Bem Viver reforçam a importância de reconhecer e apoiar lideranças que há muito tempo sustentam práticas regenerativas, mesmo diante de inúmeros desafios. A parceria com o Instituto Aldeia Verde amplia essa rede, fortalecendo conexões e garantindo que essas vozes circulem com mais alcance.

Este encontro foi concebido com a coordenação e orientação da antropóloga e indigenista Cláudia Franco, cuja atuação se dedica há anos ao fortalecimento de perspectivas decoloniais, ao diálogo intercultural e à valorização dos saberes indígenas em contextos contemporâneos. Sua presença contribui para garantir que este espaço seja construído com responsabilidade ética, escuta qualificada e profundo respeito às cosmologias e às lideranças envolvidas.

Na OGA, acreditamos que regeneração não é apenas uma pauta ambiental; é uma transformação profunda na forma como nos relacionamos com a vida. E essa transformação passa pelo reconhecimento e respeito aos saberes indígenas.

Não como algo a ser apropriado, mas como algo a ser protegido, valorizado e aprendido em relação.

Participe da roda de escuta online e gratuita:
https://chat.bondy.com.br/indique-uma-preta/povos2026

A live será realizada em parceria com a Indique, fortalecendo pontes entre territórios, redes e oportunidades.

Como participar e amplificar essas vozes

Mais do que participar, este é um convite à ação:

  • Siga essas lideranças.
  • Amplifique suas vozes.
  • Contrate, colabore e apoie seus trabalhos.
  • Reconheça e valorize seus saberes.

Abril não é apenas um mês de homenagem; é um chamado à prática.

Que possamos escutar com atenção, agir com responsabilidade e cultivar futuros enraizados na ancestralidade, na justiça e no bem viver. 🌿

OGA
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