Abril, em Pindorama (Brasil), é mais do que um marco simbólico. É um tempo de memória viva, de reconhecimento e de escuta. Um tempo que nos convida a olhar para os povos originários não como parte do passado, mas como presença ativa, inteligência coletiva e futuro em movimento.
É nesse contexto que a OGA, em articulação com o Instituto Aldeia Verde, com o projeto Guardiãs do Bem Vivere em parceria com a Indique, se soma a esse ciclo com um convite simples e profundo: escutar.
Como nos lembra Nego Bispo, a confluência entre quilombos, favelas e aldeias carrega uma força transformadora capaz de “derreter o asfalto”. Mais do que uma imagem, é um chamado à reconexão entre territórios, saberes e modos de existência historicamente separados e silenciados.
Neste mês dos povos originários, celebramos e honramos especialmente a força feminina indígena: guardiãs do bem viver, da memória, da cura e da continuidade.
Mulheres indígenas e a força do bem viver
Para marcar esse momento, reunimos quatro mulheres indígenas cujas trajetórias expressam, de formas distintas e complementares, a potência da ancestralidade em ação.
Cleidiane Tremembé atua como educadora indígena, construindo pontes entre escola e território por meio de metodologias interculturais. Seu trabalho desafia modelos educativos coloniais e propõe caminhos enraizados nos saberes e cosmologias de seu povo.
Ludmilla Pataxó, estilista e artista, utiliza a moda como linguagem política e cultural. Suas criações afirmam uma estética indígena contemporânea que honra suas raízes e reposiciona a moda como território de resistência e narrativa.
A-yá Kukamíria, pajé amazônica, é guardiã da medicina tradicional e dos saberes ancestrais. Sua atuação nos lembra que a cura é coletiva e profundamente conectada à floresta, aos espíritos e aos ciclos da vida.
Wamen Negarotê, mestra indígena, fortalece práticas ancestrais e o protagonismo feminino, evidenciando o papel central das mulheres indígenas na continuidade cultural e na defesa dos territórios.
Reunir essas mulheres em uma roda de escuta é mais do que promover um encontro; é criar um espaço de confluência.Um espaço onde diferentes mundos podem se encontrar sem que um precise se sobrepor ao outro.
Parcerias que sustentam redes vivas
Iniciativas como o projeto Guardiãs do Bem Viver reforçam a importância de reconhecer e apoiar lideranças que há muito tempo sustentam práticas regenerativas, mesmo diante de inúmeros desafios. A parceria com o Instituto Aldeia Verde amplia essa rede, fortalecendo conexões e garantindo que essas vozes circulem com mais alcance.
Este encontro foi concebido com a coordenação e orientação da antropóloga e indigenista Cláudia Franco, cuja atuação se dedica há anos ao fortalecimento de perspectivas decoloniais, ao diálogo intercultural e à valorização dos saberes indígenas em contextos contemporâneos. Sua presença contribui para garantir que este espaço seja construído com responsabilidade ética, escuta qualificada e profundo respeito às cosmologias e às lideranças envolvidas.
Na OGA, acreditamos que regeneração não é apenas uma pauta ambiental; é uma transformação profunda na forma como nos relacionamos com a vida. E essa transformação passa pelo reconhecimento e respeito aos saberes indígenas.
Não como algo a ser apropriado, mas como algo a ser protegido, valorizado e aprendido em relação.
Participe da roda de escuta online e gratuita:
https://chat.bondy.com.br/indique-uma-preta/povos2026
A live será realizada em parceria com a Indique, fortalecendo pontes entre territórios, redes e oportunidades.
Como participar e amplificar essas vozes
Mais do que participar, este é um convite à ação:
- Siga essas lideranças.
- Amplifique suas vozes.
- Contrate, colabore e apoie seus trabalhos.
- Reconheça e valorize seus saberes.
Abril não é apenas um mês de homenagem; é um chamado à prática.
Que possamos escutar com atenção, agir com responsabilidade e cultivar futuros enraizados na ancestralidade, na justiça e no bem viver. 🌿








