Isso de ser humano é uma pousada.
Todas as manhãs, uma nova chegada.
Uma alegria, uma tristeza, uma maldade,
alguma consciência momentânea surge
como um visitante inesperado.
Dê as boas-vindas e entretenha todos eles!
Mesmo que sejam uma multidão de tristezas,
que violentamente varrem sua casa
esvaziando-a de seus móveis,
ainda assim, trate cada convidado com honra.
Ele pode estar limpando você
para alguma nova alegria.
O pensamento sombrio, a vergonha, a malícia,
receba-os na porta com um sorriso,
e convide-os a entrar.
Seja grato por quem quer que venha,
pois cada um foi enviado
como um guia do além.
— Jalal al-Din Muhammad Rumi (1207-1273)
O poeta que fala através dos séculos
Jalal al-Din Muhammad Rumi, O poeta persa e místico sufi do século XIII é hoje o poeta mais vendido na América do Norte. Suas palavras aparecem em cartões comemorativos, em estúdios de ioga e nas redes sociais. Mas essa popularidade teve um custo. Como observou a estudiosa Rozina Ali na revista The New Yorker, Rumi é “normalmente referido como um místico, um santo, um homem iluminado”, mas “menos frequentemente descrito como muçulmano”. O contexto islâmico, as raízes culturais persas e a história específica que moldaram sua voz foram todos eliminados.
Para o povo do Irã, uma civilização que se estende por milênios desde os reinos elamitas, o Império Aquemênida, até os dias de hoje, Rumi não é uma marca. Ele é um filho das letras persas, moldado pela mesma paisagem, língua e história que continuam a definir a identidade iraniana. E para a maioria da população mundial, os oprimidos, os colonizados, os deslocados, suas palavras carregam um poder que não pode ser contido por traduções edulcoradas.
O persa Rumi
Ruminasceu em 1207 em Balkh, um importante centro da cultura persa na Grande Khorasan, no atual Afeganistão. Sua família era composta por estudiosos de língua persa, parte de uma rica tradição intelectual em toda o Grande Irã e Ásia Central.
The 13th century was a time of upheaval. The Mongol invasions swept across the Islamic world, destroying cities and displacing countless families, including Rumi’s own. This experience of displacement and loss profoundly shaped his spiritual vision.
No entanto, mesmo no exílio, ele escrevia em persa. Sua obra-prima, o Masnavi ye Ma’navi, é um épico em seis livros com cerca de 50 mil versos, tão reverenciado que é chamado de “o Alcorão em persa”. Separar Rumi de suas raízes persas e islâmicas é um ato político. Como observa a tradutora Haleh Liza Gafori nesta entrevista à PRX, o imperialismo ocidental há muito tempo molda a forma como as tradições espirituais orientais são apresentadas para consumo. O místico radical torna-se um inofensivo propagador de “amor e paz”, seguro, consumível, despolitizado.
A Casa de Hóspedes
O poema traz um ensinamento radical. “Isto de ser humano é uma pousada.” O eu não é uma fortaleza a ser defendida, mas um espaço de hospitalidade. Isso reflete a prática sufi da muraqabah ou observação consciente, a capacidade de testemunhar pensamentos e sentimentos sem se fundir com eles.
A política do apagamento
For colonized peoples, this resonates with terrible power. Colonialism is a crowd of sorrows that violently sweeps through nations, emptying them of sovereignty, resources, dignity.Yet Rumi whispers. Do not become your destruction. Do not let the invader define who you are. The furniture may be gone, but the guest house remains. And the guest house is you.
A política do apagamento
Se a poesia de Rumi possui tal poder, por que o Ocidente se esforçou tanto para esvaziá-la de suas especificidades? A resposta está no próprio império. O orientalismo tem duas faces. Uma demoniza o Oriente como bárbaro. A outra o romantiza como exótico e espiritual. Ambas negam a plena humanidade.
O Rumi despolitizado desempenha essa segunda função. Ele permite que os consumidores ocidentais se sintam espiritualmente enriquecidos pela “sabedoria oriental”, mantendo-se, ao mesmo tempo, alheios às verdadeiras lutas das pessoas que a produziram. Como Jawid Mojaddedi, professor de religião da Universidade Rutgers, analisa, “O fato da popularidade das traduções mais vendidas de Rumi para o inglês não ser afetada pelo aumento do racismo contra pessoas que compartilham sua região e cultura é um claro indício de que essas traduções estão falhando profundamente.”
A promessa: “Encontrar-me-ei com você lá”
Há outro poema de Rumi. Mais curto. Mais íntimo. Ele fala do que resta quando o império já causou o pior.
Além das noções de certo e errado,
há um campo. Nos encontraremos lá.
Quando a alma se deita naquela grama,
o mundo fica cheio demais para se falar dele.
Este é o ensinamento final. Além da violência, além das sanções, além das narrativas coloniais e dos apagamentos, existe um campo. Rumi promete nos encontrar lá.
Não como persas e estadunidenses. Não como muçulmanos e cristãos. Não como colonizadores e colonizados. Apenas como almas. Apenas como seres humanos que resistiram e continuam de pé.
O campo não é um lugar para esquecer. É um lugar onde se vê com clareza.Quando a alma se deita naquela grama, todas as categorias que o império usa para nos dividir desaparecem. O que resta é simplesmente isto: estamos aqui. Sobrevivemos. Somos humanos juntos.
For the Iranian people, for the global majority, for everyone who has been told their suffering does not matter, their culture is backward, their lives are collateral damage, this is the promise. There is a field beyond all that. And we will meet each other there.
Estamos ao lado do povo
No fim das contas, a poesia de Rumi não é uma fuga da política. É uma política mais profunda. Uma política da alma, da dignidade, da resistência. É a consciência de que o império passa, mas a poesia permanece. De que as sanções causam dor, mas o espírito é intocável. De que o Ocidente pode se apropriar das palavras de Rumi, mas não pode se apropriar de sua terra natal.
Além das noções de certo e errado, existe um campo.
Nós nos opomos aodespotismo por toda parte,seja imposto de dentro ou de fora. Nenhum império deveria jamais decidir quem governa uma nação. Nenhuma potência estrangeira deveria jamais reivindicar o direito de redefinir o futuro de um povo.A terra pertence àqueles que nela vivem. A soberania das nações não é um presente a ser concedido ou negado pelos poderosos. É um direito inerente à própria existência de um povo.
We stand with the people of Iran against imperial aggression. We stand with Lebanon against occupation and Venezuela against interference. We stand with Palestine against genocide and ethnic cleansing. We stand with South Sudan against the resource wars that keep the country in conflict. We stand with Yemen against the Saudi led coalition and its Western backers.
We oppose despotism everywhere, whether imposed from within or from abroad. No empire should ever decide who governs any nation. No foreign power should ever claim the right to reshape a people’s future.The land belongs to those who live on it. The sovereignty of nations is not a gift to be granted or withheld by the powerful. It is a right inherent in the very existence of a people.
A OGAmanifesta sua solidariedade inabalável com todos os povos que resistem à agressão imperialista e colonialista. Nós nos opomos a todo tipo de despotismo, seja ele imposto por tiranos locais ou por impérios estrangeiros. Insistimos que a soberania pertence aos povos que habitam essas terras. Rejeitamos o olhar colonialista que reduz civilizações antigas a meros alvos da política ocidental. Nós os vemos. Nós os honramos. Estamos ao lado de vocês.








