Nota editorial: este texto é baseado em uma transcrição das palavras do Cacique Tapi Yawalapiti, liderança indígena do Alto Xingu. Preservamos sua voz para que leitores possam ouvir diretamente sua perspectiva sobre cultura, território e defesa da floresta.
Por: Cacique Tapi Yawalapiti
O Caminho de um Líder no Alto Xingu
Sou Tapi Yawalapiti, liderança indígena do Xingu. Meu avô e meu pai me ensinaram sobre nossa cultura, organização social, política, educação e como receber pessoas. Foi um desafio aprender a ser uma pessoa diferenciada, e hoje aplico tudo que eles me ensinaram. Graças a eles, tenho visão, conhecimento, amor pelo próximo e amor pela natureza. Aprendi a manter nossa cultura viva: nossos cantos, rituais e tradições. Esse é o meu conhecimento e a minha consciência.
O que é matali: educação e formação tradicional
O aprendizado tradicional é transmitido principalmente por meio da memória oral e da convivência comunitária, onde os mais velhos ensinam valores, histórias, práticas culturais e modos de viver à nova geração. Esse processo integra o processo que chamamos de matali, a preparação para a vida e funções de liderança na comunidade.
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Defendendo o Território e a Cultura
Hoje trabalho em prol de toda a população indígena do Xingu.
São 16 povos, 10 mil pessoas. Represento esses povos, buscando proteger a floresta amazônica, defender a cultura e orientar meu povo para que continue praticando suas tradições. Também cuidamos da qualidade da água e do meio ambiente.
Minha trajetória começou em 1994, acompanhando meu pai, vendo-o falar em reuniões e participar de grandes eventos fora do Xingu.
Hoje continuo sua luta pelo meio ambiente, pelo território e pela preservação da cultura. Nossa cultura está na floresta, que nos fornece materiais para enfeites, pinturas, instrumentos de caça e música.
Como liderança, tenho responsabilidades: educar o povo, reunir a comunidade e garantir alimento.
Nosso povo cultiva grandes roças para que todos tenham comida.
Meu projeto é ver o povo feliz, saudável, vivendo em paz, cultivando danças e realizando rituais. Também participo de eventos fora do Brasil, palestrando sobre a vida do meu povo e como mantemos a floresta em pé.
Nós, indígenas, somos a família da natureza, cuidamos dela e ela nos cuida.
Educação Tradicional e Conhecimento Ancestral
Na minha trajetória, três coisas foram fundamentais: o conhecimento tradicional, o estudo no mundo não indígena e a educação universitária. Estudar fora me deu segurança para defender os direitos do meu povo. Hoje transmito esse conhecimento para meus filhos e sobrinhos, preparando futuras lideranças. Incentivo-os a estudar, pois é essencial para que indígenas sejam reconhecidos como cidadãos e possam defender seus direitos.
Desafios Políticos e o Marco Temporal
O maior desafio que enfrentamos atualmente são as leis e projetos que ameaçam nosso território, como o Marco Temporal. Para enfrentar esses desafios, seguimos o ensinamento dos nossos mais velhos: “unidade é força”. Precisamos ter o mesmo olhar, a mesma preocupação, fortalecer a união da comunidade e lutar juntos.
Vídeos e Entrevistas com Tapi Yawalapiti
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A OGA reforça que é essencial amplificar vozes como a do Cacique Tapi Yawalapiti. Líderes indígenas carregam conhecimento ancestral, defendem o meio ambiente e contribuem para soluções globais em justiça climática e social. Ouvir, compartilhar e apoiar essas vozes fortalece comunidades, culturas e a Amazônia. Amplificar essas vozes é um ato de solidariedade e responsabilidade com o futuro do planeta.








