Permacultureandpalestine

Permacultura e Palestina: Semeando Soberania e Resistência à Ocupação

A terra, para o povo palestino, é mais do que um meio de subsistência; é a própria identidade e o mapa da resistência. A conexão com Al-Ard (a Terra) é uma herança ancestral que a ocupação tenta sistematicamente apagar, através de um projeto de roubo de terras e controle de recursos.

Neste contexto de apagamento histórico, a Permacultura surge não apenas como uma técnica agrícola, mas como um ato radical de decolonização. É a afirmação de que a soberania sobre a terra, a água e as sementes é o alicerce de um futuro livre.


A Nakba Verde: O Contexto da Agro-Resistência

A ocupação militar israelense opera uma política que ataca o tecido ecológico e agrário da Palestina. Este é um processo que ativistas chamam de Nakba Verde: confisco contínuo de terras para expansão de assentamentos e controle total sobre os recursos hídricos.

Em uma região onde a água é politizada e militarizada, o modelo colonial visa substituir a agricultura ancestral pela dependência de monoculturas e produtos importados, transformando o agricultor em um mero consumidor e rompendo sua ligação milenar com o solo.


Permacultura: Um Projeto Ético e Agro-Ecológico

É neste contexto de desapropriação que a Permacultura se estabelece como um projeto ético de reconexão e autonomia.

O Conceito

A Permacultura é um sistema de design que se baseia em três éticas centrais: Cuidado com a Terra, Cuidado com as Pessoas e Partilha Justa dos Excedentes. Ao contrário da agricultura industrial, ela busca criar sistemas autossustentáveis, resilientes e abundantes, observando e imitando os padrões da natureza.

Na Palestina, a aplicação desses princípios é imediata e vital. O design permacultural ensina a maximizar a produtividade em espaços minimizados e marginalizados, a construir microclimas favoráveis e, crucialmente, a restaurar a saúde do solo e a capacidade de retenção de água.

Um dos pilares desse movimento popular foi o trabalho de educadores como Alice Grey e Alfred Decker. Alice apresentou o primeiro completo Permaculture Design Course (PDC) na Palestina, treinando líderes locais para aplicar as técnicas em terras sitiadas ou ameaçadas.

Soberania em Cada Semente

A luta pela Soberania Alimentarpalestina se manifesta em práticas como:

  • Gestão Hídrica: Utilização de técnicas como swalese cisternas para captação de água da chuva. Este é um ato de autonomia hídrica que contorna o controle imposto pelos assentamentos.
  • Banco de Sementes: Projetos como a Biblioteca de Sementes Ancestrais da Palestina (liderada pela artista e pesquisadora palestina Vivien Sansour) protegem e trocam sementes crioulas ancestrais. Ao preservar a biodiversidade, os palestinos resistem à dependência de sementes patenteadas e preservam a memória cultural da terra.
  • Crescimento Urbano e em Refúgios: A permacultura permite a criação de hortas intensivas em telhados ou pequenos quintais nos campos de refugiados, transformando espaços limitados em fontes vitais de nutrição.

O Elo da Libertação

A Permacultura não é apenas jardinagem; é ativismo enraizado. É o oposto direto da ficção de Terra Nulliusque justifica a ocupação, pois cada semente plantada declara uma presença enraizada e um futuro reivindicado.

Cada ato de plantar uma árvore, coletar água, compartilhar uma semente é um ato de não violência e resistência. É afirmar: “Eu estou aqui, e esta terra está viva”. Essa afirmação de vida e conexão ressoa profundamente com o nosso propósito na OGA – construir um mapa que seja honesto, ancestral e justo.

Cultivar é a forma mais profunda de resistência, e a Permacultura é o mapa de um futuro onde a Palestina floresce em sua própria soberania.


Chamado à Ação: Apoie a Agro-Resistência

A Permacultura na Palestina é financiada pelo ativismo e pela solidariedade global. Para apoiar o trabalho de soberania e enraizamento palestino:


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